sábado, febrero 11, 2006

Livro sobre cultura escolar

Vidal, Diana Gonçalves. Culturas escolares: estudo sobre práticas de
leitura e escrita na escola pública primária (Brasil e França, final
do século XIX) . Editora:Autores Associados, 208p. - ISBN:
85-7496-131-0

Trata-se de um estudo dos mais importantes para se compreender a
discussão acerca das culturas escolares no âmbito da história da
educação. Em continuidade a seus investimentos anteriores na área,
Diana Vidal nos apresenta refinados estudos teóricos e análises
sobre a circulação de idéias, pessoas e materiais e sobre o ensino
da escrita no Brasil e na França no final do oitocentos indicando,
também, pistas férteis para continuidade dos estudos sobre as
apropriações culturais/educacionais efetuados diferentes sujeitos
presentes na cena educacional do período.

O estudo inicia pelo próprio percurso profissional da autora, que
narra como foi se constituindo em historiadora da educação por meio
das investigações realizadas, dos grupos de pesquisa freqüentados e
das orientações e aulas dadas. Prepara o terreno para a discussão
teórica sobre a escola primária como objeto de pesquisa, que vai se
desenrolar no primeiro capítulo, esclarecendo as maneiras como a
autora foi consolidando sua reflexão historiográfica ao longo dos
anos. No capítulo 1, as categorias cultura escolar, gramática da
escola e forma escolar são abordadas, em permanente diálogo com
intelectuais franceses e norte-americanos, mas sem perder de vista a
realidade da escola brasileira que se impõe, demarcando os limites
de incorporação desse arsenal teórico às análises e as recomposições
que se apresentam como necessárias para operacionalizar as
categorias. Os capítulos que seguem, entretecem as informações
colhidas em intenso trabalho com fontes, efetuado no Brasil e na
França, aos aportes teóricos e historiográficos. O ensino da leitura
e da escrita na escola primária brasileira e francesa do final do
século dezenove são o mote para a compreensão da singularidade dos
processos educativos ocorridos em cada país, a despeito do discurso
que insiste em apontar suas semelhanças ou em conclamar uma
reprodução acrítica de educadores brasileiros das inovações
estrangeiras. O livro enuncia uma certeza: se os objetos, pessoas e
idéias circulam entre os dois lados do Atlântico no final do
Oitocentos, os modos como são apropriados respondem a inquietações
locais e respeitam as realidades nacionais.

Segundo Anne-Marie Chartier, no texto da quarta capa do livro,
?Diana Vidal pertence à escola histórica que privilegia as práticas,
sem negligenciar jamais os contextos institucionais e sociais nos
quais se assentam. (...) Colocando sua teoria à prova, Diana propõe
dois estudos de caso situados no século XIX, um sobre a leitura (a
recepção no Brasil de um livro francês de poesia infantil) e outro
sobre a escrita (a invenção de uma estenografia escolar) que mostram
como uma proposição totalmente válida em princípio torna-se
aceitável ou fracassa ao se fazer introduzir na realidade? .

O livro é, assim, uma leitura obrigatório para todos(as) que, de
ambos os lados do Atlântico, se dedicam ao estudo da história da
educação.

Luciano Mendes de Faria Filho
Grupo de Estudos e Pesquisa em História da Educação
www.fae.ufmg.br/gephe

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