domingo, abril 30, 2006

Sobre os professores e a profissão docente.

O suplemento Sinapse do Jornal Folha de São Paulo de setembro expôs para todo o Brasil dados sobre o perfil etário dos professores brasileiros que há muito vêm sendo discutidos pela comunidade acadêmica. São informações alarmantes que mereceram comentários, dentre outros, do articulista dessa Folha, Walter Ceneviva, em sua coluna do dia 08/10/2005. Depois disso, várias articulistas voltaram à questão. Tais dados demonstram que os jovens estudantes já não escolhem a profissão docente como uma forma de “ganhar a vida honestamente e de contribuir para a sociedade”, como se diz da profissão desde, pelo menos, o século XIX.
Mas, o que os dados nos dizem? Em primeiro lugar, e obviamente, que, conforme a própria matéria aponta, daqui a alguns poucos anos, aquilo que já é uma realidade em algumas áreas (física, matemática, geografia, dentre outras) será generalizado para toda a educação básica: faltarão professores para a escola básica brasileira. Mas, não apenas isto. O mais grave é que, independentemente do número, verifica-se que a profissão perdeu, de vez, o poder de atrair/seduzir jovens talentos. Ou seja, a tarefa socialmente relevante e culturalmente fundamental de conduzir as novas gerações ao mundo adulto já não atrai parcela significativa (e necessária) de sujeitos dessa mesma sociedade. É como se os jovens estivessem dizendo: não vale a pena jogar o melhor das minhas energias nessa tarefa, apesar de sua relevância social e cultural.
Não podemos confundir, com isso, que os jovens que entram na universidade e buscam uma formação que lhes garantam a sobrevivência digna não considerem a profissão docente como relevante ou que aos próprios professores não gozem de considerável prestígio social. Em pesquisas realizada no mundo inteiro, inclusive no Brasil, as populações consideram a profissão docente como uma das relevantes socialmente. Onde estaria o problema então?
Não há dúvida, e numerosos estudos o demonstram, que a questão salarial é uma das mais candentes. Nos últimos dias, por exemplo, observamos os professores mineiros enfrentando o Estado que se propõe a aumentar o piso salarial da categoria de R$212,00 para R$305,00!!!! Não há como convencer os jovens que uma profissão que retribui economicamente tão mal os seus praticantes, seja uma escolha sensata quando se vai abraçar como carreira. Mas, penso, esta não é a única questão, inclusive por que os salários dos professores nunca foram dos mais altos na administração pública. Ao longo do século XIX, por exemplo, os professores tinham que buscar outras fontes de renda para fazer frente às necessidades de manutenção de suas famílias, quando não das próprias escolas. Este aspecto não mudou muito no século XX.
Penso que outra dimensão do problema está na crescente complexificação do papel dos professores nas sociedades modernas e, face a isto, a manutenção de políticas de educação (e de atuação junto ao professora) ultrapassadas. Hoje, talvez mais do que nunca, o professorado sabe que a “condução das novas gerações” implica um conjunto enorme de saberes e competências, continuamente explicitadas pelas políticas educacionais e pela literatura que o professor tem acesso ao longo de sua formação e de sua atuação profissional. No entanto, ao mesmo tempo, as precárias condições de formação e trabalho e a baixa remuneração impedem que os docentes tenham acesso, de fato, a tais saberes e competências. Este é um dos aspectos que aumentam ainda mais a já tensa – por sua própria natureza – experiência docente.
Soma-se a este aspecto, o fato de que as desigualdades sociais e econômicas estão fazendo com que a experiência docente, que sempre foi marcada pela experiência do medo e do receio do outro, esteja cada vez mais naturalizando a violência física como um padrão de relação entre alunos/alunos e destes com professores. Explico: elemento fundante da relação docente, a relação com o outro é sempre tensa e, no caso do professor, sempre comporta uma certa violência simbólica de condução deste outro – o aluno – ao universo adulto. Mas, e quando, como hoje, a violência é uma ameaça constante ao próprio professor, qual a repercussão disso em sua subjetividade e em sua maneira de encarar as próprias responsabilidades?
Diante do crescente fracasso (secular) da escola em realizar bem as suas tarefas mais básicas, o Estado, principal responsável pelas redes públicas de ensino, sempre adotou as mesmas políticas: reforma dos cursos de formação e dos currículos escolares, mudanças dos livros didáticos e acenos de adoção de novas, e salvacionistas, tecnologias de ensino. Em comum, todas essas reformas têm o fato de imputar ao professor a maior responsabilidade pelo chamado “fracasso da escola”. De tanto se dizer isto ao longo de pelo menos dois séculos de história da escola, essa é uma idéia que ronda os professores, como o é, também, a idéia de que é a educação que vai salvar este país! Quanto à melhoria dos salários e das condições de trabalho, isso sempre ficou para um futuro incerto que nunca chegou, inclusive porque o “serviço da instrução“ reúne um contingente tão considerável de profissionais que o aumento salarial, por pequeno que seja, repercute enormemente nas já combalidas finanças do Estado (este são termos do século XIX!!!).
É evidente que a experiência dos professores marcam também as experiência dos alunos. E qual aluno, uma vez chegando a sua vez de escolher uma profissão, escolheria uma tal profissão, mesmo que ele a considere relevante socialmente? Depois de conviver ao longo de sua infância e parte de sua juventude com professores extenuados, desmotivados, mal remunerados...quem se atreveria a escolher a profissão? É evidente que sempre há exceções e, felizmente para muito de nós, elas foram e são muitas, mas a regra é que a profissão docente concentra, repito, desde o século XIX, um altíssimo nível de adoecimento profissional.
A complexidade da questão demanda, tanto do Estado quanto do conjunto da sociedade brasileira, uma séria tomada de posição. Não porque a educação vá salvar o país ou coisa do gênero, pois dizer isto é faltar com a verdade. Mas porque o professor ocupa-se de uma tarefa das mais fundamentais em nossa cultura: a da apresentação e condução das novas gerações à vida adulta. Só por isso – e sabemos que a função social/cultura/econômica/política é muito maior – já seria motivo para uma maior valorização do professorado. Tal valorização, no entanto, não é problema apenas do Estado como empregador, é também um problema que se refere e todos e a cada um de nós, pois como valorizar (e remunerar) melhor o professor e, ao mesmo tempo, conviver com uma sociedade tão desigual e injusta como a nossa? O que precisamos perguntar é: é possível fazer uma escola de qualidade para os mais pobres quando, cada vez mais, nossa sociedade parecer querer naturalizar a pobreza e as desigualdades sociais? Assim, convencer os jovens a escolher a profissão docente é uma tarefa que aponta para a necessidade uma profunda revisão de nossas prioridades como sociedade humana, e esta é uma tarefa que nos envolve a todos.
Para ilustrar el inquietante artículo enviado por Luciano Mendes de Faria Filho sobre la profesión docente, en tantos puntos similar a lo que sucede en Argentina, se nos ocurrió el conocido "El maestro de Escuela" de René Magritte.
La inquietante ilustración responde al inquietante tema.
Luciano Méndes de Faria Filho é Professor de História da Educação na Faculdade de Educação da UFMG e co-organizador do livro 500 anos de educação no Brasil (Ed. Autêntica, 2002)
Muchas gracias Luciano


Encuentro Iberoamericano de Museos Pedagógicos


Santiago de Compostela, 1 de abril de 2006

Distinguido/a colega:

Me pongo en comunicación contigo para informarte de que desde el Museo Pedagóxico de Galicia (MUPEGA) estamos realizando las gestiones preliminares para organizar el I ENCUENTRO IBEROAMERICANO DE MUSEOS PEDAGÓGICOS Y MUSEÓLOGOS DE LA EDUCACIÓN, que de acuerdo con las previsiones iniciales tendrá lugar en Santiago de Compostela (España) entre los días 21 al 23 de febrero de 2007.

Nos gustaría contar con tu presencia y tu participación en este evento congresual, por medio del cual se tratarán de estrechar los vínculos entre las diversas instituciones museísticas del mundo iberoamericano, especializadas en el área temática de la educación, al tiempo que se fomentará el conocimiento e intercambio de saberes y experiencias entre cuantos venimos trabajando en las tareas de recuperación, salvaguarda, explotación científica y difusión de los acervos que conforman la memoria de la educación.

Si, como esperamos, te decides finalmente a compartir tus proyectos y propuestas con todos cuantos nos encontraremos en las instalaciones del MUPEGA, te pido que a la mayor brevedad -antes del 15 del presente mes de abril- y si es posible por este mismo medio me lo comuniques, para que podamos continuar efectuando los trámites preparatorias necesarios. Te ruego disculpes mi insistencia en disponer
de tu confirmación en un plazo tan corto, pero sólo si todos los invitados responden en el plazo fijado estaremos en condiciones de continuar con las tareas organizativas.

Confiando en contar con tu colaboración, aprovecho este mensaje para testimoniarte mi consideración y enviarte un saludo muy cordial

Prof. Dr. Vicente Peña Saavedra
Coordinador Científico del MUPEGA

Para ponerte en comunicación con nosotros, puedes hacerlo a través de las siguientes
direcciones electrónicas:

vipesa@edu.xunta.es
museo.pedagoxico.galicia@edu.xunta.es
http://www.edu.xunta.es/mupega
http://www.mupega.org

Museo Pedagóxico de Galicia
San Lázaro, n.º 107
15781 Santiago de Compostela
A Coruña-Galicia
EspañaTeléf.: +34 981 540 150
Fax: +34 981 540 154

Ilustración:
Objetos escolares tomados de la página web del MUPEGA

domingo, abril 23, 2006

Día Mundial del Libro

Entrevista con Rosa María Torres por Johnny Alvarado Dominguez, diario EXPRESO y Revista SEMANA,
Guayaquil-Ecuador

23 abril 2006

1.- ¿Considera que en el país no see lee como se debería porque es muy caro leer o porque no existen buenos textos para adquirirlos?

Muchas personas no leen simplemente porque no saben leer y escribir, porque no fueron a la escuela, porque la abandonaron en los primeros grados o porque fueron a una mala escuela (en los centros de alfabetización constatamos hoy que asisten muchos niños, jóvenes, adultos que han llegado hasta el cuarto, quinto y hasta sexto grado, y sin embargo aprendieron apenas los rudimentos de la lengua escrita).

Muchas otras personas no leen, sabiendo leer, porque no hay objetos de lectura a su alrededor, llámese libro, periódico, revista, folleto, volante, carta o lo que sea. La nuestra no es una sociedad que no fomenta ni valora la lectura y la escritura. En comunidades y escuelas rurales a menudo no hay nada para leer, además de los textos y cuadernos escolares y de los anuncios comerciales o la propaganda electoral. A muchos lugares no llega el periódico o, si llega, es inalcanzable para la gente (antes los pequeños comerciantes envolvían la compra en periódico; cada vez menos, cada vez más nos inunda el plástico). A menudo, los materiales impresos que llegan de oficinas estatales o de organizaciones no-gubernamentales, son sosos o excesivamente complejos, no despiertan el interés. He visto asimismo innumerables “bibliotecas comunitarias” que sólo tienen libros de texto para los estudiantes y a las que van a parar libros que no pudieron venderse comercialmente y que a nadie interesa leer. ¡Ni qué hablar de la disponibilidad de materiales de lectura en lenguas indígenas!

Lamento aguar el festejo del libro, pero creo que es imprescindible distinguir promoción del libro y promoción de la lectura, reconocer que los libros no son los únicos objetos de lectura, que estos ya no vienen sólo en soporte impreso sino también en soporte digital, y que hay muchos malos libros, que no merecen leerse.

Por otra parte, ¿de dónde sale la idea de que hay que poseer un libro para poder leerlo? Para eso se inventaron las bibliotecas, hace muchísimos años, para colectivizar la lectura y el uso de los libros. Hoy tenemos además los café Internet, cybercafés o telecentros - como se los quiera llamar- que se extienden en el país y en toda América Latina y en los que la actividad central también gira en torno a la lectura y la escritura, pero a partir de la computadora. Estamos expuestos - sobre todo en las ciudades - a innumerables objetos y situaciones de lectura y escritura, incluyendo los medios virtuales y las tecnologias digitales (celular, computadora), los cuales están de hecho contribuyendo a hacer más popular y más cotidiana la lectura y la escritura especialmente entre los jóvenes pero también entre los adultos.

Claro que el problema principal sigue siendo no sólo cuánto se lee o escribe, sino qué se lee y qué se escribe, y para qué.

2.- ¿Qué medidas se deben adoptar para que los libros sean más baratos en el país?

Partamos de lo ya dicho: no se debe reducir lectura a libro, es preciso fomentar la lectura en todos sus soportes y formas, dentro y fuera del sistema escolar, y a lo largo de toda la vida.

Ciertamente es importante abaratar los costos de los libros y democratizar su uso, pero eso no es lo único que hay que hacer. Desde el otro lado, hay que mejorar el nivel de vida y el poder adquisitivo de la población. Hay que abaratar el costo de la vida en general, combatir en serio la pobreza, que afecta a la mayoría de la población. Cuando se está en el límite de la supervivencia, el libro pasa a ser objeto suntuario, lujo de minorías y de élites. No se trata pues sólo de políticas editoriales o de campañas de promoción de la lectura sino de políticas económicas y sociales a nivel macro.

Habría que abaratar también el costo de los periódicos, y mejorar enormenente su calidad. Un pobre periodismo genera pobres lectores, y a la inversa; es un círculo vicioso. Asimismo, hoy en Internet se pueden encontrar bibliotecas completas que están disponibles en línea, el único costo es el de la conexión a Internet y el de la impresión, si se prefiere leer en papel y no en la pantalla. Yo misma he puesto la mayor parte de mis publicaciones a disposición pública y gratuita, en mi página web institucional http://www.fronesis.org/

3.- ¿Se considera usted una buena lectora? ¿Cuál fue el último libro que leyó?

Soy una persona que lee y escribe cotidianamente, en papel y en la pantalla. Leo de todo, desde tratados científicos y densos hasta lecturas frívolas de esas que se encuentran en consultorios o peluquerías, básicamente porque soy curiosa, me gusta aprender y explorar, y siento que todo está finalmente relacionado con todo. Leer y escribir es la esencia misma de mi trabajo como educadora, comunicadora y activista social, y mi fuente más importante de aprendizaje permanente. Lo hago por placer, no por obligación. Ahí está el único pequeño gran secreto de todo buen lector o escritor.

El libro "de cabecera" que estoy leyendo (aún no lo termino) se titula "Mujeres que corren con los lobos". Este es el que he cargado conmigo en mis últimos viajes, el que leo en aeropuertos y aviones, o bien por las noches. Pero están además todos los otros libros y documentos con los que me encuentro todos los días, como parte de mis tareas profesionales y de investigación. Es raro que una persona que lee mucho responda a esta pregunta en singular -EL libro – y en pasado –el ULTIMO.

4.- ¿Cómo incentivar la lectura entre los niños y los jóvenes del Ecuador?

Es fundamental que empecemos dando el ejemplo los adultos, padres y madres de familia, maestros y maestras. Los niños y niñas que ven leer y escuchan leer a su alrededor, desarrollan ideas y actitudes respecto de la lectura que no las desarrollan los niños y niñas que crecen en ambientes iletrados o sin estímulo hacia la lectura. Hay abundante investigación que muestra esto, en todo el mundo. De allí que tener padres alfabetizados y educados debe pasar a ser visto no sólo como un derecho de los adultos sino de todo niño o niña. Un padre o una madre analfabetos no pueden leer a sus hijos, están privados de ese placer especial que es leer en voz alta a y junto con los hijos. Un maestro que no lee, mal puede enseñar a sus alumnos el gusto por la lectura.

Con el perdón del libro y del Día del Libro, creo que precisamente – entre otros - hay que desmitificar el libro y acoger como válidas y necesarias todas las formas y los soportes de la lectura, integrándolas antes que creando redes y sistemas en pararelo como viene ocurriendo: biblioteca escolar y biblioteca comunitaria, libros y computadoras, cuadernos y pantallas, revistas y enciclopedias, bibliotecas y cybercafes o laboratorios informáticos, etc.

Mis dos hijos, de pequeños, disfrutaban mucho de las revistas de comics. Nosotros, los padres, les incentivábamos a que leyeran lo que quisieran leer. Sabíamos que lo más importante y lo más difícil - y donde se equivocan precisamente muchos padres y maestros- es dejar que aflore el interés y el amor por la lectura. Borges, el gran escritor argentino, recomendaba abandonar un libro si aburría, aunque fuese escrito por algún grande de la literatura o la historia mundial.

Y es que a la lectura y a la escritura se llega con y por placer, no por obligación. La escuela jamás forjará lectores y escritores, ni buenos ni malos, si insiste en seguir haciendo de la lectura y la escritura herramientas de castigo y de tortura.

Instituto Fronesis http://www.fronesis.org
Ilustración:
La lectura. Renoir

sábado, abril 22, 2006

Elogio de la lectura


¿En qué consiste ese extraño sentimiento de intimidad compartida, de sabiduría regalada, de maestría del mundo a través de un mero juego de palabras? Éste es un paseo por la historia de los libros y por las obras de algunos de esos grandes hechiceros responsables del paraíso de la lectura. Memoria, intimidad, imaginación, sentimientos, inteligencia, aventura y descubrimiento son algunas de las palabras que reivindican el estatus de un placer que nos hace más humanos.
Alberto Manguel
BABELIA (El País) - 22-04-2006


Si debemos justificarnos inventamos razones estéticas, culturales, filosóficas o morales. Pero la verdad es que nuestros juicios son casi todos refutables fuera del campo hedonista. La memoria de los libros es la nuestra, seamos quienes seamos y estemos donde estemos. Intimidad solitaria y compartida. La lectura nos ofrece también el placer de la inteligencia
Como la experiencia muestra, la debilidad de nuestra memoria olvida fácilmente no sólo los actos ocurridos hace mucho tiempo, sino también los recientes de nuestros días. Es, pues, muy conveniente y útil poner por escrito las hazañas e historias antiguas de los hombres fuertes y virtuosos para que sean claros espejos, ejemplos y doctrina para nuestra vida, según afirma el gran orador Tulio".
Así comienza la novela que, entre los pocos libros perdonados de la biblioteca de Don Quijote, el cura rescata por ser "un tesoro de contento y una mina de pasatiempos": el Tirant lo Blanc de Joanot Martorell y Martí Joan de Galba. "Llevadle a casa y leedle", le dice a su compadre el barbero, "y veréis que es verdad cuanto dél os he dicho".
El Tirant justifica su propia existencia como un remedio a nuestra flaca memoria, como depósito de nuestra experiencia pasada, como espejo de valores antiguos y de enseñanza meritoria. Eso quiso su autor, pero sus lectores, menos ambiciosos, como aquel cura de La Mancha, no se preocuparon por tales noblezas y lo recomendaron por razones más sutiles y menos graves: por dar contento, proveer pasatiempo, provocar deleite. El censorio cura y el ensañado barbero condenaron a las llamas aquellos libros de Don Quijote que, a sus ojos, pecaban de revueltos, disparatados, arrogantes, duros, secos -es decir, libros que no les gustaban-. Porque en el momento de la verdad, frente a la salvación o a la hoguera, para un verdadero lector lo que importa es el placer.

Pero ¿qué es este placer? ¿En qué consiste ese extraño sentimiento de intimidad compartida, de sabiduría regalada, de maestría del mundo a través de un mero juego de palabras, de entendimiento adquirido como por acto de magia, de manera profunda e intraducible? ¿Por qué nos lleva a rechazar ciertos libros sin misericordia y a coronar a otros como clásicos de nuestra devoción si algo en ellos nos conmueve, nos ilumina, pero por sobre todo nos deleita?
Como lectores, nuestro poder es aterrador e inapelable. No nos enternecen ni las súplicas de los críticos ni las lágrimas de los lectores que nos han precedido. Implacables, a través de los siglos, juzgamos y volvemos a juzgar a los libros que ya se creían a salvo. Por puras razones de gusto, en el paraíso de la lectura, Cervantes ocupa el lugar que Martorell y Galba han perdido a pesar del juicio del mismo Cervantes. ¿Nuestros abuelos adoraban a Anatole France y a Mazo de la Roche? A nosotros no nos gustan: al infierno con ellos. ¿Melville fue despreciado y Kafka vendía apenas unos pocos ejemplares? Hoy Melville está sentado a la diestra de Dante y una primera edición de La metamorfosis de Kafka vale unos seis mil euros. Si debemos justificarnos, inventamos razones estéticas, culturales, filológicas, históricas, filosóficas, morales. Pero la verdad es que, a fin de cuentas, nuestros juicios son casi todos refutables fuera del campo hedonista.
El lema de todo verdadero lector es De gustibus non est disputandum. "De gustos no se discute", o, como se dice en castellano, "sobre gustos no hay nada escrito". El proverbio latino dice la verdad; la traducción castellana miente. Nuestro placer no admite argumentos; admite en cambio una infinidad de escritos, los exige. Al fin y al cabo ¿qué son las bibliotecas sino archivos de nuestros gustos, museos de nuestros caprichos, catálogos de nuestros placeres?
El placer de la lectura, que es fundamento de toda nuestra historia literaria, se muestra variado y múltiple. Quienes descubrimos que somos lectores, descubrimos que lo somos cada uno de manera individual y distinta. No hay una unánime historia de lectura sino tantas historias como lectores. Compartimos ciertos rasgos, ciertas costumbres y formalidades, pero la lectura es un acto singular. No soñamos todos de la misma manera, no hacemos el amor de la misma manera, tampoco leemos de la misma manera.

Para ciertos lectores, el placer de la lectura es uno de intimidad. Ese espacio amoroso que un lector crea con su libro no admite otra presencia. El niño que lee bajo la manta a la luz de una linterna cuando se le ha ordenado dormir, el adolescente acurrucado en el sillón para quien el único tiempo que transcurre es el del cuento que está leyendo, el adulto aislado de sus congéneres en un atiborrado vagón de tren o en un bullicioso café, encuentra su placer en un mundo creado sólo para él. Proust volvía al comedor una vez que la familia había salido a pasear para hundirse en el libro que estaba leyendo, rodeado solamente de los platos pintados colgados en la pared, del almanaque, del reloj, todos objetos, nos dice, "muy respetuosos de la lectura" que "hablan sin esperar respuesta y cuya jerga, a diferencia de la de los humanos, no trata de reemplazar el sentido de las palabras leídas con un sentido diferente". Dos horas de placer hasta la entrada de la cocinera que, con sólo decir "así no puede estar cómodo. ¿Y si le traigo una mesita?", lo obligaba a detenerse, a buscar su voz desde muy lejos, a sacar las palabras de su escondite detrás de los labios y a responder, "no, gracias", con lo cual el encanto quedaba roto. El placer de la lectura no admite terceros.

Pero hay lectores para quienes la experiencia compartida prolonga y profundiza el placer de la intimidad. Acabo de leer un párrafo que me encanta y, antes de cerrar el libro o pasar a otra página, quiero leérselo a otros, regalar a un amigo el nuevo placer descubierto, formar un pequeño ruedo de admiradores de ese texto. Dar un libro a otro lector es decirle: "Éste fue mi espejo; ojalá sea el tuyo". Es así como creamos asociaciones de lectores que tienen algo de sociedades secretas, y es gracias a ellas que ciertos autores no han desaparecido de nuestras bibliotecas canónicas. He regalado innumerables ejemplares de Su mujer mona de John Collier, de la autobiografía de Henry Green, de Contra la corriente de James Hanley, de Rosaura a las diez de Marco Denevi, para poder hablar de lo que me gusta, para que mi placer tenga un eco. En su diario, Hervé Guibert cuenta que compró las Cartas a un joven poeta de Rilke para leer al mismo tiempo que su amigo el libro que éste se había llevado de viaje.

Intimidad solitaria y compartida.
La lectura nos ofrece también el placer de la inteligencia. ¿Qué otro arte nos permite pensar con Pascal, razonar con Montaigne, meditar con Unamuno, seguir los vericuetos de la mente de Vila-Matas o de Sebald? No se trata de dejarse convencer con argumentos ajenos, lo que se ha llamado "terrorismo intelectual". Se trata de ser invitados a un momento de reflexión, de convertirnos en testigos de la creación de una idea, como ocurre en los diálogos de Platón o en las novelas de Gombrowicz. Se trata de escuchar y pensar. El resultado puede o no ser compartido; poco importa, ya que el recorrido intelectual no prevé ni conclusión ni destino preciso. Cerramos ciertos libros y nos sentimos más inteligentes, resultado que el autor no puede nunca prever. "El arte alcanza una meta que no es la suya" escribió Benjamin Constant. Lo mismo puede decirse de la lectura.

El placer de la inteligencia significa al menos dos cosas: disfrutar del uso de la razón y disfrutar del reconocimiento del mundo. Es banal recordar que la lectura nos lleva a regiones insospechadas; menos banal es recordar que nos hace ciudadanos de tales regiones. Para un lector, todo libro es un museo del universo y, a veces, el universo mismo. Los lectores habitamos El Cairo de Naguib Mahfouz, las islas de Conrad, el Madrid de Galdós, pero también la luna de Wells y de Verne, los universos soñados por Lovecraft y Ursula K. Le Guin, el País de las Maravillas de Lewis Carroll. Hay un cuento (ya no sé quién lo escribió) en el que un hombre leyendo las aventuras de otro que se pierde en el desierto muere de hambre y de sed en su cama, rodeado de comida y de bebida. De forma algo más moderada, todo lector conoce el placer de habitar el mundo creado por otros, de ser su explorador y su cartógrafo.

Un auténtico explorador goza de lo que encuentra, sea bueno o sea malo; un lector también. Que un libro nos parezca pésimo, no significa que no nos pueda dar placer. Los grandes poetas nos deleitan; otros menos agraciados también son capaces de hacerlo. El inglés Charles Waterton, famoso conocedor de las selvas de Suramérica, se extasiaba ante los animales más feos de la creación, como por ejemplo el sapo de Bahía, repugnante criatura que el Dr. Waterton cogía tiernamente en su mano y acariciaba con cariño, mientras hablaba emocionado de la profunda mirada y espléndido brillo de los ojos del batracio. Igual hacen los lectores con cierta mala literatura. Parafraseando a Wilde, yo diría que hay que tener un corazón de piedra para no morirse de risa ante ciertas páginas de Azorín o de Ángeles Mastreta. O ante este verso del poeta mexicano Díaz Mirón: "Tetas vastas como frutos del más pródigo papayo". Tales abominaciones tienen la marca de un genio.
Tom Stoppard escribió que para saber si un escritor es bueno o malo, hay que preguntarle a su madre. Más interesante, más entretenido, más placentero es descubrir si es un visionario. Quiero decir, si es capaz de revelarnos en su obra esos pequeños secretos que misteriosamente dan sentido al universo, diciéndonos lo que no sabíamos que sabíamos. Elijo una frase al azar, de la novela de Ana María Moix Las virtudes peligrosas: "La experiencia, en contra de lo que la gente suele opinar, no es ninguna forma de sabiduría... La experiencia, créame, amigo, no es más que una forma de nostalgia".

Tales revelaciones resultan menos insólitas que verdaderas. El lector sabe que, en tales casos, el placer no resulta de la sorpresa, que es obra del azar, sino de la confirmación de algo que ya ha intuido vagamente. La orden de Diaghilev a Cocteau -Étonnez-moi! "¡sorpréndame!"- es el deseo de un empresario, no el de un auténtico lector. El lector acepta las sorpresas del texto como un preámbulo amoroso -descubrir que alguien toma café en lugar de té, que duerme del lado izquierdo de la cama, que tararea La violetera en la ducha- pero luego busca un conocimiento más íntimo, más profundo del texto, una familiaridad que se extiende y se renueva con cada relectura. "Cuando diseño un jardín", dice un personaje de Thomas Love Peacock, "distingo lo pintoresco y lo hermoso, y agrego una tercera calidad que llamo lo inesperado". "¿Ah sí? Entonces dígame", responde su interlocutor, "¿qué nombre le da usted a esa calidad cuando alguien recorre el jardín por segunda vez?".

Tampoco debemos olvidar el placer de la memoria. Leer es recordar. No solamente esos "actos ocurridos hace mucho tiempo" sino también "los actos recientes de nuestros días". No solamente la experiencia ajena contada por el autor sino también la nuestra, inconfesada. Y no solamente las páginas del texto que vamos leyendo, memorizando las palabras a medida que adquirimos otras nuevas que olvidaremos en la página siguiente, sino también los textos leídos hace tiempo, desde la infancia, componiendo así una antología salvaje que va creciendo en nuestro recuerdo como la obra fragmentaria de un monstruoso autor único cuya voz es la de Andersen, la de San Agustín, la de Quevedo, la de Javier Cercas, la de Cortázar. Leer nos permite el placer de recordar lo que otros han recordado para nosotros, sus inimaginables lectores. La memoria de los libros es la nuestra, seamos quienes seamos y estemos donde estemos. En ese sentido, no conozco mayor ejemplo de la generosidad humana que una biblioteca.

Leer nos brinda el placer de una memoria común, una memoria que nos dice quiénes somos y con quiénes compartimos este mundo, memoria que atrapamos en delicadas redes de palabras. Leer (leer profunda, detenidamente) nos permite adquirir conciencia del mundo y de nosotros mismos. Leer nos devuelve al estado de la palabra y, por lo tanto, porque somos seres de palabra, a lo que somos esencialmente. Antes de la invención del lenguaje, imagino (y sólo puedo imaginarlo porque tengo palabras), imagino que percibíamos el mundo como una multitud de sensaciones cuyas diferencias o límites apenas intuíamos, un mundo nebuloso y flotante cuyo recuerdo renace en el entresueño o cuando ciertos reflejos mecánicos de nuestro cuerpo nos hacen sobresaltar y darnos vuelta. Gracias a las palabras, gracias al texto hecho de palabras, esas sensaciones se resuelven en conocimiento, en reconocimiento. Soy quien soy por una multitud de circunstancias, pero sólo puedo reconocerme, ser consciente de mí mismo, gracias a una página de Borges, de Jaime Gil de Biedma, de Virginia Woolf, de un sinnúmero de autores anónimos. La lombriz de la conciencia (como la llamó Nicolà Chiaromonte en otra página que me define) denota la incisiva, constante, obsesiva búsqueda de nosotros mismos. La lectura añade a esta obsesión la consolación del placer.

El placer ha sido denigrado en nuestra época al entretenimiento superficial, a la distracción, a la facilidad, a la satisfacción egoísta. Confundimos información con conocimiento, terrorismo con política, juego con habilidad manual, valor con dinero, respeto mutuo con tolerancia altiva, equilibrio social con comodidad personal. Creemos que estar contentos (o creer que estamos contentos) es ser felices. Quienes están en el poder nos dicen que para sentir placer tenemos que olvidarnos del mundo, someternos a normas autoritarias, dejarnos subyugar por míseros paraísos, deshumanizarnos. Pero el auténtico placer, el que nos alimenta y nos anima, tiende a lo contrario: a tomar consciencia de que somos humanos, que existimos como pequeños signos de interrogación en el vasto texto del mundo. Quienes tenemos la fortuna de ser lectores sabemos que es así, puesto que la lectura es una de las formas más alegres, más generosas, más eficaces de ser conscientes.

Tomado de: http://www.elpais.es/suple/babelia/index.html

martes, abril 18, 2006

Gregorio Weinberg. In memoriam


En el día de la fecha ha fallecido el Profesor Gregorio Weinberg en Argentina.

miércoles, abril 05, 2006

Historia/Historias de la lectura

La primera información sobre las XXIV Jornadas de Estudios Históricos Locales y XVII Jornadas de Historia de la Educación de los Países de Lengua Catalana nos había llegado a través de Bernat Sureda Director del Boletín Informativo de Historia de la Educación de la Sociedad del mismo origen, en el Número 16, segunda época, octubre-diciembre de 2005.

Antonio Viñao Frago nos acaba de enviar el tomo de las actas de dichas Jornadas, realizadas en Palma de Mallorca, del 17 al 19 de noviembre de 2005, editado bajo la coordinación de Francesca Comas Rubí y Xavier Motilla Salas, cuya portada ilustra este post.

El título refleja el contenido de las Jornadas: Història/Histories de la lectura:

La temática de las Jornadas se centró en el análisis de la dimensión educativa de la lectura a lo largo de la historia y su desarrollo a través de los siguientes ejes: enseñar y aprender a leer, espacios y contextos para la lectura y su fomento, las lecturas educativas, y la lectura y la educación como elementos de debate y reflexión.
La participación en las Jornadas fue diversa y multidisciplinaria como lo demuestran las treinta y dos comunicaciones presentadas en torno de los ejes temáticos mencionados que se recogen en el libro de actas, así como la diversa procedencia geográfica del centenar de participantes.

Las Jornadas fueron inauguradas por representantes del IEB (M. Antonia Ferragut), de la UIB (Joan Antoni Mesquida), de la SHEPLC (Salomó Marquès), y de la Comisión Organizadora (Antoni J. Colom).

La Dra. Anna Maria Bernardinis, catedrática de Teoría e Historia de la Educación de la Universitat de Pàdova, pronunció la conferencia «De la dignidad de la lectura».
La primera sección, que trató de las maneras de enseñar a aprender y a leer fue iniciada por la conferencia «Modos de leer, maneras de pensar. Lecturas intensivas y extensivas», del Dr. Antonio Viñao, del Departamento de Teoría e Historia de la Educación de la Universidad de Murcia; la sección que trató de los espacios y los contextos para la lectura y su fomento contó con la conferencia «Las políticas públicas de fomento de la lectura.» del Dr. Sebastián Serra, del Departamento de Ciencias Históricas y Teoría de las Artes de la Universidad de las Islas Baleares.
La sección dedicada a las lecturas educativas fue inaugurada por la conferencia «Tradición y modernidad en las lecturas educativas del siglo XX», del Dr. Julio Ruiz Berrio, del Departamento de Teoría e Historia de la Educación de la Universidad Complutense de Madrid; y finalmente, la sección en que se analizó la lectura y la educación como elementos de debate y reflexión fue introducida por el Dr. Gabriel Janer Manila, del Departamento de Pedagogía y Didácticas Especiales de la Universidad de las Islas Baleares, con la conferencia «Una historia particular de la lectura».
Para mayor información contactarse con el Director del Boletín Bernat Sureda


miércoles, marzo 22, 2006

Quema de libros durante la dictadura militar en Argentina

La hoguera del miedo.
por Marcelo Massarino*

El próximo 24 de marzo se cumplirán treinta años del Golpe militar que derrocó al gobierno peronista en 1976. Es un aniversario que sirve para recordar una vez más a los desaparecidos, a los asesinados, a los torturados y exiliados. También para señalar que la dictadura militar tuvo un plan para exterminar a la oposición que no sólo consistió en persecución y muerte, sino en la ejecución de una estrategia para el vaciamiento económico y cultural de la sociedad.
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"Una de las tantas atrocidades que cometieron los militares y sus cómplices civiles fue la quema de libros que no comenzó en la Argentina del '76 pero que en el marco de esa política represiva fue para el Proceso una práctica "purificadora" del ser nacional. También hubo otros fuegos que encendieron quienes temían una represalia por tener una biblioteca que los inquisidores podían calificar como "subversiva". Otro recurso fue tirar libros en inodoros y pozos ciegos o el enterramiento como destino de la literatura y la prensa que podía servir como pretexto para un operativo. Con la democracia los hijos de aquellos jóvenes lectores de los setenta se enteraron que aún estaban escondidas aquellas bolsas con los ejemplares olvidados junto a la higuera del fondo de la casa. Destruidos por la humedad o convertidos en cenizas, los libros vuelven a las bibliotecas como los cuerpos a la playa después de los vuelos de la muerte. En 2002 la publicación de Un golpe a los libros, de Hernán Invernizzi y Judith Gociol mostró la trama del aparato represivo en la cultura. Para recrear el clima de aquellos años recurrimos a esa investigación y al testimonio de los protagonistas de la época. Invernizzi asegura que la dictadura militar tuvo un plan concreto y aclara que "no significa que se trataba sólo de un plan de destrucción. Era un proyecto de control, censura y producción de cultura tanto en la educación como en la cultura y la comunicación Eudeba La cultura fue un lugar donde la derecha peleó cada lugar de poder. Un ejemplo es el caso de la Editorial Universitaria de Buenos Aires, Eudeba. El 25 de mayo de 1973 fue designado rector de la Universidad de Buenos Aires Rodolfo Puiggrós, quien nombró presidente del Directorio al escritor Arturo Jauretche y director ejecutivo al periodista Rogelio García Lupo. El autor de El medio pelo en la sociedad argentina falleció el 25 de mayo de 1974. García Lupo renunció cuatro meses después. Reconoce que "sabíamos que íbamos a tener muchos problemas. Pensábamos en discusiones por los proyectos editoriales pero no en agresiones físicas. El proyecto de fondo consistía en la edición de las obras completas de tres intelectuales argentinos: Leopoldo Lugones, que era una figura que les servía a todos: a los anarquistas, a los fascistas y a los nacionalistas; Carlos Astrada, un filósofo marxista y Manuel Ugarte, quien era muy representativo de la intelectualidad procedente del socialismo que había desembocado en el primer gobierno de Perón. Tuvimos amenazas cuando anunciamos el plan editorial y al tiempo decidimos irnos porque la presión era insoportable. Pero ocurrió una cosa insólita. Teníamos la idea de hacer la revisión de la obra de Lugones de manera cronológica. Empezar por el Lugones anarquista y seguir con el socialista. Un día me llamó el abogado Valentín Thiebaut, director ejecutivo del nuevo Directorio -ya con Alberto Ottalagano como interventor de la UBA-, y me dice: 'tengo un problema. No puedo cumplir con el contrato de Lugones si empezamos por la etapa izquierdista... ¿No podemos arrancar por la fascista..?'" En julio de 1974 un grupo comando entró al taller gráfico donde Eudeba imprimía parte de sus libros al grito de "¿Dónde está El marxismo de Lefebvre?" Antes que el imprentero Polosecki pudiera dar una respuesta prendieron fuego un sector pero en el apuro los asaltantes se equivocaron de libro. En julio de 1976 fue designado director ejecutivo de Eudeba el político socialista Luis Pan, quien le entregó al Comando del Iº Cuerpo de Ejército parte del fondo editorial con los libros censurados. El 27 de febrero el teniente primero Xifra dirigió el operativo que terminó con la quema de casi noventa mil volúmenes en el predio de Palermo. Rogelio García Lupo vio cuando los soldados cargaban los camiones con los ejemplares de su gestión. "Pan fue quien llamó al Ejército y puso en sus manos toda esa 'literatura pecaminosa'. El temía que alguien dijera '¡pero este Pan también es socialista..!' Con esa operación compró protección, fue como una prueba de amor". El fuego purificador y la autocensura La práctica piromaníaca del Proceso tiene ejemplos como los siguientes, ambos de 1976. En Córdoba el interventor de la Escuela Superior de Comercio Manuel Belgrano, teniente primero Manuel Carmelo Barceló, sacó de la biblioteca y mandó a incinerar títulos de Margarita Aguirre, Pablo Neruda y Julio Godio, entre otros. En la misma provincia, el jefe del Tercer Cuerpo de Ejército, Jorge Eduardo Gorleri (luego ascendido a general por el gobierno de Raúl Alfonsín), exhibió en conferencia de prensa una hoguera en el patio de la unidad militar, avivada por libros de León Trotsky, Mao Tse-Tung, Ernesto Che Guevara, Fidel Castro, Juan Domingo Perón y fascículos del Centro Editor de América Latina (CEAL) que robó de las bibliotecas y librerías. En la ciudad de Rosario, provincia de Santa Fe, los militares usurparon la Biblioteca Popular Constancio C. Vigil, La Vigil, una institución que tenía una biblioteca de 55.000 volúmenes en circulación y 15.000 en depósitos, a principios de la década del setenta. El 25 de febrero de 1977 fue intervenida mediante el decreto nº 942. Ocho miembros de su Comisión Directiva detenidos ilegalmente, su control de préstamos bibliográficos utilizado para investigar a los socios. Miles de libros de la entidad fueron quemados, por ejemplo seiscientas colecciones de la obra completa del poeta Juan L. Ortíz. El periodista y escritor Mempo Giardinelli sufrió las consecuencias de la pasión ígnea de los militares: su primer novela fue quemada junto a una de Eduardo Mignogna. El caso de Enrique Medina es paradigmático: "El golpe de Estado de 1976 confirmó la prohibición de los libros ya censurados del autor y lo extendió a cuanto texto suyo aparecía. Medina es, quizás, uno de los autores más sistemáticamente perseguidos por la censura, durante la dictadura e incluso antes", según Invernizzi y Gociol. Manuel Pampín, de Corregidor, editó parte de la obra del autor de Las Tumbas, como Sólo ángeles cuya sexta edición fue prohibida aunque no la séptima, una copia de la anterior. También le decomisaron Olimpo, de Blas Matamorro, por un decreto del PEN. Ante el reclamo de Pampín, el capitán de navío Carlos Carpintero le respondió: "de los libros, olvidate". Ya en 1978 las autoridades retuvieron en la aduana Evita, una biografía de Marysa Navarro que más tarde pudo ingresar al país por la intervención de Dardo Cúneo, por entonces presidente de la Sociedad Argentina de Escritores. Hubo editores que decidieron destruir los materiales que eran prohibidos. Es el caso de Granica: "varios de los libros de sello fueron prohibidos. Entre ellos La pasión según Trelew, de Tomás Eloy Martínez que fue uno de los primeros títulos de los que la propia editorial decidió deshacerse. Esa es la cara más perversa del terror: ya no los libros que el régimen quemaba sino los que se eliminaban por propia decisión", describen los autores de Un Golpe a los libros. De la imprenta a la fábrica de papel sin pasar por librerías fueron por lo menos diez títulos, no menos de 20.000 volúmenes, entre ellos Correspondencia Perón-Cooke. La quema de libros más grande que concretó la dictadura fue con materiales del Centro Editor de América Latina, el sello que fundó Boris Spivacow quien además tuvo un juicio "por publicación y venta de material subversivo". El fue sobreseído pero el millón y medio de libros y fascículos ardieron en un baldío de Sarandí. Testigos de la quema fueron la profesora Amanda Toubes, directora de la colección La enciclopedia del mundo joven y Ricardo Figueira, director de colecciones del CEAL y autor de las fotografías de aquel 26 de junio de 1978. En 2005 ambos recordaron el clima de aquellos años para un artículo que Aníbal Ford escribió en la revista Lezama: Toubes decía que "'en ese momento nuestra mente estaba todavía en el asesinato de Daniel Luaces, en su escritorio vacío. Tantos otros llantos, tantas cosas de las que nos íbamos enterando día a día... que tal vez lo vivimos sólo con una gran tristeza pero también como parte de nuestra cotidianeidad'. Algo de esto retoma Ricardo Figueira, que casi minimiza el hecho. 'Lo que era vivir cotidianamente, día a día, con el culo a cuatro manos y dando varias vueltas a la casa antes de entrar'". Para Ford "esa hoguera de libros argentinos provocó un vacío, un hueco, en la transmisión y en la construcción cultural que todavía no ha sido reparado". Otro de los editores perseguidos fue Daniel Divinsky, de Ediciones de la Flor, quien junto a su mujer Kuki Miler fue detenido a disposición del Poder Ejecutivo durante 127 días y luego partió al exilio. Primero fue la censura del libro infantil Cinco dedos. Ya en la cárcel de Caseros, se enteró de la prohibición de Ganarse la muerte, de Griselda Gambaro. Divinsky rememora que trabajar en esa época "era como caminar por la cuerda floja. La prohibición a de la Flor pretendió ser, de alguna manera, una medida ejemplificadora porque se trataba de una editorial independiente. Cuando pasó todo y volvimos del exilio cada día que llegaba a la oficina daba una vuelta a la manzana para ver si había algún patrullero." Desde finales de los sesenta Siglo XXI fue una de las editoriales más influyentes en el pensamiento latinoamericano. Con casas en España y México, la sede de Buenos Aires tenía una enorme influencia. Editaba Las venas abiertas de América Latina, de Eduardo Galeano y todos los libros del pedagogo Paulo Freire, entre otros. El 2 de abril de 1976 un grupo de tareas allanó las oficinas de Perú 952 y secuestró al jefe de correctores Jorge Tula y al gerente de ventas Alberto Díaz. La empresa fue clausurada y luego abrió hasta que la casa matriz decidió levantar la sede porteña. Pasaron treinta años y hoy Alberto Díaz es director editorial del Grupo Planeta. "Era muy jodido y triste trabajar en ese ambiente en el que desaparecían correctores, traductores y amigos. Otros se exiliaban o se iban al Interior, o eran detenidos. Pero seguíamos trabajando. ¿Por qué? Es algo inexplicable porque el golpe se veía venir pero estabas como anestesiado. Yo estuve desaparecido un mes y pico. Cuando me largan ya me habían cesanteado de la Universidad y volví a Siglo XXI. Me tenía que ganar la vida y no se me ocurría irme. Después de un segundo aviso partí rumbo a Colombia el 24 de agosto del 76. ¿Qué le produce este recuerdo? Es como si estuviera contando un libro de historia. Ya no recuerdo cómo era mi rostro, pero sí de la cara del poeta Miguel Angel Bustos. Lo tengo congelado con un rostro joven. Ya no me acompañan las imágenes de la detención porque sabes que muchos de los detenidos nunca volvieron, entonces tenes una especie de culpa del sobreviviente. Ceremonias privadas También hubo otras quemas de libros que hicieron las víctimas de la represión. No era necesario ser militante ni pertenecer a una organización política. El hecho de tener libros considerados "subversivos" o "inmorales" era peligroso. "La destrucción, el ocultamiento y el enterramiento de libros desde 1974 hizo que las bibliotecas se vayan despoblando. Otro fenómeno que desapareció fue la lectura en los medios públicos de transporte porque el libro te hacía caer bajo sospecha" reflexiona Díaz, quien incineró algunos libros del Che como Guerra de Guerrillas, periódicos del PRT La Verdad y revistas como Crisis y Militancia. La escritora Ana María Shua regresa a los días de marzo del 76: "Mi marido y yo no militábamos, pero éramos de izquierda y muchos de nuestros amigos y conocidos desaparecían o se escapaban del país o pasaban a la clandestinidad. Sabíamos que había libros 'peligrosos': todo lo que tuviera marxismo o la idea de la revolución social. ¿Por dónde empezar? Empezamos por uno de Vo Nguyen Giap, sobre la Guerra de Vietnam. El intento, en la pileta de la cocina, fue un triste fracaso. No es tan fácil quemar un libro en un departamento de tres ambientes. Decidimos que si entraba un grupo de tareas, daba lo mismo que hubiera este libro o aquel: lo peligroso, lo que nos denunciaba como enemigos era tener una biblioteca. Y abandonamos la idea de quemar libros. Alicia Dujovne Ortíz en su libro Las perlas rojas recuerda las fogatas que se encendían en esa época en las azoteas, en los patiecitos. Teníamos miedo, mucho miedo."
Marcelo MassarinoPeriodista.
Tomado de:
Instituto Fronesis, Buenos Aires. http://www.fronesis.org

Ilustración:
Quema de libros condenados. Pedro Berruguete

jueves, marzo 16, 2006

Alfabetización y eurocentrismo


El término alfabetización se encuentra impregnado de eurocentrismo al punto que denominamos "alfabetos" a sistemas de escritura que no tienen vocales a los que habría que denominar escritura betabética si se nos permite el neologismo.
De igual modo ¿qué sentido tiene denominar "campaña de alfabetización" a una acción por la promoción de la lectura y escritura en China cuando su sistema de escritura es ideográfico?
Quizá estas reflexiones estén por debajo de lo que Rosa María Torres señala en el siguiente artículo como obstáculo para el relevamiento estadístico comparativo. Dice así:
"En el último boletín de la UNESCO (ver abajo) se consignan ejemplos de las diferentes maneras en que cada país define y contabiliza qué es una "persona alfabetizada".
Esto es entre otras cosas lo que dificulta la comparabilidad estadística en materia de analfabetismo/alfabetización a nivel internacional.
Nótese que ninguno de estos ejemplos incluye el manejo de las tecnologias digitales como factor a tenerse en cuenta modernamente en las definiciones o estimaciones de analfabetismo/alfabetización.
Ignoramos si UNESCO está considerando incluir la llamada "alfabetización digital" como un nuevo indicador dentro del campo del analfabetismo y la alfabetización."
Saludos,
Rosa María Torres Instituto Fronesis
http://www.fronesis.org

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Examples of different ways that countries define a literate person
- Brazil: A person who can read and write at least a simple statement in a
language he or she knows.
- Cameroon: Literacy is the ability of people aged 15+ to read and write inFrench or in English..
- China: A person is considered literate if he or she knows 2,000 characters(1,500 characters if he or she lives in a rural area).
- Islamic Republic of Iran: A literate is an individual who can read andwrite a simple sentence in Farsi or in any other language.
- Mali: A person who has never attended school is considered illiterate,even if that person can read and write.
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Tomado de:MINGA NACIONAL POR UN PAIS QUE LEE Y ESCRIBE
Enviar ">mensajes al grupo
Sitio web

domingo, marzo 12, 2006

Museos escolares 8

Nombre:
Museo Pedagógico de Chile
Dirección:
Chacabuco 365 (Barrio Matucana), Santiago de Chile
Director (a):
María Isabel Orellana Rivera
Teléfono:
681 8169 - 682 2040 contacto@museopedagogico.cl
Horario de Atención:
Para servicios previamente concertados, lunes a viernes, de 10:00 a 17:00 horas.
Colecciones:
La colección inicial del Museo Pedagógico de Chile se origina en la Exposición Retrospectiva de la Enseñanza, efectuada en 1941 con motivo del IV Centenario de la Fundación de la ciudad de Santiago. A partir de entonces, se incrementa gradualmente a través de donaciones privadas y de escuelas y liceos del país. En la actualidad sus colecciones alcanzan un total de 6.522 piezas.La colección más valiosa y voluminosa es la de material escolar, que proviene en su mayoría de antiguos establecimientos educacionales del país. En ella encontramos, por ejemplo, máquinas electrostáticas para la enseñanza de la física, que fueron encargadas a Europa por don Diego Barros Arana; una colección de fósiles utilizados por don Rodulfo A. Philippi en sus clases del Instituto Nacional; láminas didácticas; una completa serie de mapas de insignes cartógrafos; pupitres, ábacos y otros artículos escolares utilizados en diversas épocas. A partir de 1997 la colección se inventarió, se organizó dentro de dos depósitos y se tomaron medidas para su conservación preventiva.La Biblioteca Especializada en Ciencias de la Educación del Museo cuenta con más de 40.000 obras y textos sobre filosofía de la educación, sicología pedagógica, didáctica y metodología de las asignaturas, antropología, economía y sociología. Además posee publicaciones periódicas, folletos y una recopilación de documentos y conferencias de educadores ilustres.Sus fondos se encuentran parcialmente organizados. 16.000 volúmenes están inventariados y catalogados. Sin embargo, se estima que 11.000 publicaciones periódicas permanecen sin procesar, al igual que un grupo de 10.000 impresos varios. Por otra parte, el Archivo Fotográfico del Museo posee más de 6.000 imágenes del proceso histórico de la educación chilena, organizadas y catalogadas.
Material Didáctico :
Visita a la sede del Museo.La antigua Escuela Normal N¼ 1 de Niñas "Brígida Walker" (Monumento Nacional), en Compañía 3150. Por las características actuales del Museo, este servicio se encuentra sujeto a reserva previa obligatoria
URL:
http://www.dibam.cl/subdirec_museos/m_pedago/home.asp

sábado, marzo 11, 2006

Historia Social de la Educación. Programa de docencia

Tenemos el agrado de invitar a los lectores de este blog a realizar una visita a nuestro sitio de docencia en la Universidad Nacional de Luján, Argentina

"La máquina para leer varios libros a la vez ilustraba la carátula del programa de 1996 de Historia Social de la Educación I.
Nos había llamado muchísimo la atención la imagen que habíamos tomado de HERSCH, J. (dir) (1973) El derecho de ser hombre, Antología, Madrid, Tecnos/Unesco.
Unos años más tarde nos reencontramos con la imagen en el texto de MANGUEL, Alberto (1999) Una historia de la lectura, Bogotá, Norma; quien la atribuye a un ingeniero italiano, Agostino Ramelli, al servicio del rey de Francia.
El inventor caracteriza al artefacto como "una bella e ingeniosa máquina, muy útil y conveniente para toda persona que disfruta estudiando, especialmente si sufre indisposición o padece gota, porque con esta clase de máquina un hombre puede ver y leer una gran cantidad de libros sin moverse de su sitio" (MANGUEL:144-145)
Utilizamos la ilustración en el sitio del Proyecto Histelea (que surge casi simultáneamente con aquella versión del programa de la materia así como su actividad de extensión universitaria el proyecto museo de la escuela) para decir que "La escena de lectura informática había sido anticipada en el Proyecto de máquina para leer varios libros a la vez, cuando en un grabado [del siglo XVII], apenas a un siglo de inventada la imprenta ya se advertían sus consecuencias en la difusión masiva del libro"
Podríamos pensar dos largos momentos en la historia de nuestros trabajos en HSE para lo cual hemos vuelto a echar una mirada a la bibliografía del proyecto:
1) Un primer momento inicial del equipo que arranca con su constitución en 1986, cuando junto a Daniel Cano debatíamos nuestras preocupaciones teóricas centrales en torno a la redefinición del objeto de estudio de la Historia Social de la Educación (CUCUZZA:1986); y, en ese marco quizá, el problema de la escritura como tecnología de la palabra siguiendo a Walter Ong . El pasaje de las culturas orales a las culturas escrituradas y con ello el surgimiento de la “escuela templo” marcaba con mucha fuerza nuestras formulaciones teóricas y nuestras prácticas de aula. La bibliografía utilizada da cuenta de ello: ONG:1987; ZUMTHOR:1989; McLUHAN:1988; GOODY:1985; 1990, GELB:1987; HEBRARD:1989; ILLICH:1989; BOURDIEU:1990; VIÑAO:1988; entre otros.
2) Un segundo momento que comienza con la formulación del programa mencionado de 1996 en el que, sin abandonar los planteos iniciales, el eje se desplazó hacia la construcción de la escuela como construcción de “la modernidad”, (PINEAU:1996), y los intereses del equipo se desplazaron hacia la lectura y los manuales escolares: CUCUZZA: 1998; BURKE:1991; CHARTIER:1994 y 1995; CHARTIER y HEBRARD:1994; CAVALLO y CHARTIER:1997; MANGUEL:1999; ESCOLANO BENITO:1996; JOHNSEN:1996; SAENGER:1997; VIÑAO: 1999; entre otros. El libro “Para una historia de la enseñanza de la lectura y escritura en Argentina” que recoge los trabajos colectivos del equipo en 2002 quizá sea una síntesis heterogénea de esta etapa signada por las relaciones con el Proyecto Manes de la Universidad Nacional de Educación a Distancia en España.
Si así fuera, estaríamos iniciando con esta bitácora o blog, un tercer momento de síntesis dialéctica donde lectura y escritura como prácticas socio-históricas en su mutua interdependencia se analizan incursionando decididamente en prácticas de lectura y escritura hipertextuales de docentes y alumnos en lo que se ha dado en llamar la web 2.
Y entonces no es casual que recuperemos la ilustración de aquel programa de 1996 para iniciar nuestras tareas en docencia con el programa de 2006. Si hace una década la difundíamos en formato papel en artesanales fotocopias ahora se reedita en un espacio virtual transportada en la blogósfera.
La máquina para leer varios libros a la vez será este blog. Pero será también la máquina para escribir varios libros a la vez.
Bienvenidos.
Rubén Cucuzza